Hoje quero indicar o filme ” O PASSAGEIRO – PROFISSÃO REPÓRTER” de Michelangelo Antonioni (1975)

Antonioni coloca em cena um personagem que foge de si mesmo enquanto busca uma nova vida (Jack Nicholson). Um repórter ‘bem sucedido” na profissão mas profundamente angustiado, empreende um movimento de fuga do aprisionamento do próprio modo de vida que construiu para si e descobre nessa viagem que é prisioneiro da própria PESSOA que ele se tornou, um PRÉ-POSTO de poder construído dentro de si mesmo como EU e IDENTIDADE SOCIAL.

Mas não buscará se reestruturar escavando uma suposta “verdadeira identidade” de seu Eu, pois ele não passa de uma prisão incorporal do corpo. Faz uma outra aposta, arriscada, e troca de identidade. Adota o ‘Eu’ de um morto.

O malogro dessa aposta não tarda a aparecer quando as demandas dessa nova identidade sobrevém como OBRIGAÇÕES do novo PRÉ-POSTO. Do suicídio semiótico do Eu ao assassinato do corpo pelo poder da máquina social, um circulo vicioso é posto a nu!

Não basta mudar de pré-posto, é preciso destruir o inimigo dentro de nós!

Uma obra prima do cinema!

Filmes como esse têm múltiplas camadas de entendimento e fruição. São grandes entre as grandes obras. E precisamos sempre rever as obras que são não só capazes de retornar diferentes mas de nos tornar outros a cada retorno!